
Toda relação é uma aventura.
Algumas até que duram, mas
sem pressa e sem pressão.
O coração não aguenta não,
nem frio no aperto de mão.
Sem experiência há carência.
Ausência do outro é quase
um país sem som, ar, cor, calor,
sabor, vontade, idade e andor.
Sem amor só há a ciência!
Pena de quem pensa ser
científica a vida a dois.
Não há matemática melhor
que o baião de dois: feijão com arroz.
Só há vida na comida e no suor.
Sem ter pra onde recuar nem
consola o final feliz do romance.
Mas a aventura real não tem enlace,
é processo contínuo de construção
compartilhada, no verso e na ação.
E como pode se recusar uma aventura?
Terão sido duros os outros caminhos a
ponto de com ferro selarem a armadura
da amante moderna, sincera e madura,
mas de pouca idade e muita vontade?
O percurso é o fim e o carinho o meio.
Sem receio, a aventura só vale a pena
sem freio, sem medo e com anseio
de um dia ser melhor do foi e será e é.
Pra se aventurar é preciso ter fé!
Toda relação é uma aventura.
E o que somos nós senão pura
curiosidade e segura vontade de
entrar no mundo de cabeça aberta
e erguida? Baú pra história é a vida vivida.
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