quinta-feira, 6 de outubro de 2011

DISCURSO DA CARNE



Lava, passa e pensa
Essa é a força bruta:
o raciocínio gélido
que a cabeça prensa

Entre meus defeitos
pulsa o pensamento,
o mais corpóreo dos
dilemas abstratos

Nas noites sem sono
e nos dias de sonho
ele está lá a indagar
o corpo humano

Sem tempo pra análise
o peito em chamas
queima seu recado mais
gentil e afasta a neurose

Sangue, pele e fluidos
jorram as palavras que
guardam os livros da estante
para si e para muitos

As frases certas só o corpo
pode dizer, sem querer,
sem saber que está falando
quando tenta viver de sopro

Só morto pra entender
a voz do corpo, que
ao gritar espanta o mofo
do que a mente quer coser

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