Mulher, essa qualquer
que sangra sem conter
a possibilidade do futuro
por entre as pernas
Mulher, essa que fala
amor e jorra frutos do
seu diálogo maduro
com outras eras
Aquela que nunca diz não
mas sempre tem perdão
por quem insiste em lhe
falar talvez
De vez, descobre-se a si
mesma a cada frustração
diferente que o mundo
grita com altivez
Essa que te deu a luz
e ainda conduz os dias
dos que pisam com medo
de errar
Mulher, essa que cala
quando um homem fala
sem sabor e sem saber
o que é doar
Aquela em quem dói
o parto de pro novo
partir e sai do casulo
sem dor
Mulher, essa que olha
pro alto com olhos crentes
Desmente, briga e opina
sem se opor
Aquela que põe o destino
do dia na lua, flutua
De noite não se contém
pra dançar
Essa que engole a força
motriz da vida no peito
Sem jeito, aquela que é
filha do mar

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